O PPCIAM convida para a defesa pública de dissertação de mestrado do discente Erik Souto de Moraes
TÍTULO: Eventos Extremos: Entendendo as Ondas de Calor e seus Impactos no Estado de Pernambuco
DATA : 27/02/2026
HORA: 08h00
LOCAL: Meet
RESUMO: As ondas de calor (OC) configuram-se como um dos principais eventos extremos associados às mudanças climáticas, com impactos relevantes sobre sistemas naturais e sociais, especialmente em regiões semiáridas. Esta dissertação analisa a dinâmica temporal das temperaturas do ar, a ocorrência e as características das ondas de calor e a percepção da população sobre seus impactos no estado de Pernambuco, Brasil. Foram utilizados dados diários de temperatura mínima e máxima de estações meteorológicas do INMET localizadas em Surubim e Garanhuns (Agreste), Cabrobó (Sertão) e Recife (litoral), no período de 1961 a 2024. Inicialmente, aplicaram-se procedimentos de controle de qualidade, estatística descritiva e testes não paramétricos (Mann-Kendall, Theil-Sen e Pettitt) para avaliar padrões, anomalias, gradientes e tendências térmicas. Em seguida, as ondas de calor noturnas (CTN90pct) e diurnas (CTX90pct) foram identificadas por meio do percentil móvel 90, considerando eventos com duração mínima de três dias consecutivos, permitindo a análise de frequência, duração, intensidade e severidade. Os resultados indicam aquecimento significativo das temperaturas mínimas e máximas em todas as regiões analisadas, com maior intensidade no Sertão e Agreste, e sinais de intensificação do calor noturno. As OC apresentaram aumento consistente de frequência, duração e severidade, sobretudo a partir da década de 1990, com maior persistência em áreas semiáridas e comportamento crescente também para eventos noturnos, ampliando os riscos ao conforto térmico e à saúde pública. Paralelamente, foi conduzida pesquisa de percepção com 422 entrevistados em 67 municípios, abordando perfil demográfico, condições de moradia, impactos na saúde e percepção climática. A população reconhece amplamente o aumento das temperaturas e seus efeitos no cotidiano, relatando elevada frequência de sintomas como cansaço excessivo, dores de cabeça, desidratação, insônia e redução da produtividade. As estratégias de adaptação são predominantemente individuais, comportamentais e de baixo custo, sendo o fator financeiro a principal limitação para soluções mais eficientes. De forma geral, os resultados revelam um cenário de aquecimento progressivo, intensificação das ondas de calor e elevada exposição socioambiental, especialmente em municípios de pequeno e médio porte. A convergência entre evidências climatológicas e percepções sociais reforça a necessidade de políticas públicas integradas que articulem monitoramento climático, planejamento urbano, infraestrutura verde, comunicação de risco e ações em saúde pública. O estudo destaca a importância de abordagens regionais e interdisciplinares para fortalecer a resiliência da população pernambucana frente ao avanço das mudanças climáticas.
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MEMBROS DA BANCA:
Orientadora: Profa. Dra. Werônica Meira de Souza (UFAPE-PPCIAM)
Avaliadora Externa – Profa. Dra. Janaína Maria Oliveira de Assis (UFBA)
Avaliadora Externa – Dra. Danielle Barros Ferreira (INMET)